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Opinião | "O teu nome é uma promessa" de Deborah Smith

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O bule da fotografia é da minha mãe. Não o coloquei por acaso na fotografia com este livro. Nesta história há um bule com um significado especial. Sou apaixonada por este bule e por todo o serviço de chá que o acompanha. Não tenho um motivo especial para tal amor, porém recordei-o muitas vezes ao longo desta leitura, pelo significado que este objeto teve na história. O bule Coolbroke foi especial! Uma clara alusão à lealdade e à existência de sentimentos que resistem ao tempo e às adversidades. Para mim, o bule da minha mãe também representa afetos e ligações emocionais.


Deborah Smith é uma escritora que recorre a uma fórmula de escrita. Famílias, lealdades, passado vs presente e amores interrompidos por problemas mais ou menos complexos são ingredientes muito presentes nas suas narrativas. É certo que há quem se aborreça com esta opção dos autores de dar corpo às suas histórias. No meu caso, apesar de saber mais ou menos o que vou encontrar nestes livros, gosto sempre de me atirar numa leitura destas. São livros com mensagens positivas e com histórias que me "limpam" a mente e melhoram o meu humor.


"O teu nome é uma promessa" é um livro onde facilmente identificamos os ingredientes preferidos da Deborah Smith. Colebrooks e Mackenzies, duas famílias que partilham um passado e que vivem interligados. 
Conhecemos Artemas, uma criança sedenta de afeto e de uma família que transborde tanto amor e respeito como a de Lily. Ele cresce e torna-se num homem leal e capaz de tudo para segurar a teia que liga e segura os elementos da família. 
Lily tem tanto de doçura como de garra. Uma jovem que vai conhecer o melhor e o pior do amor e isso acaba por defini-la enquanto pessoa e na forma como ela decide estar na vida. 


Estes são os dois personagens principais do livro. Em torno deles conhecemos outras personagens que dão um contributo importante à história. Destaco os irmãos de Artemas que ilustram bem as consequências de uma infância difícil e marcada pela negligência. Acho que cada um deles merecia um livro a contar a sua própria história e as suas perceções relativas à sua vivência.


As personagens de Deborah Smith são fiéis a si mesmas e reúnem características de personalidade que as tornam humanas aos olhos dos leitores. Não são emocionalmente pretas ou brancas. São uma mistura de cores, de coisas boas e menos boas; mas, no fim, todas elas encerram uma mensagem positiva e eu retiro sempre uma mensagem/lição das suas vivências e atitudes. 


O facto de acompanhar o crescimento das personagens deixa-me mais ligada a elas. Chega a uma certa altura da leitura em que parece que já as conheço. Tornam-se pessoas que eu quero acompanhar e para quem desejo o merecido final feliz. 
Eu gostei muito do livro. Houve alguns aspetos mais difíceis de assimilar, nomeadamente: 1) a história em volta dos antepassados de Artemas, há coisas pouco claras que tornaram a minha compreensão dessas relações um pouco complicadas; e, 2) a ligação inicial entre Artemas e Lily que me pareceu algo forçada, mas melhorou com o crescimento das personagens e com as cartas que foram trocando.


É preciso não esquecer que este livro foi escrito em 1993 e retrata um período onde não existiam telemóveis, nem redes sociais. Por isso, há magia nos pequenos encontros, nos telefonemas e nas cartas trocadas. 
Apesar de toda a previsibilidade que envolve as histórias que Deborah Smith cria, eu tenho um gosto pessoal em me perder nelas.
Só para terem uma noção, depois das minhas dificuldades iniciais, assim que me vinculei à história a  leitura foi rápida. Só numa tarde de domingo li mais de 200 páginas.


Com a leitura terminada, posso dizer que encontrei na história de Artemas e de Lily aquilo que procurava: um amor que resiste ao tempo e às adversidades, a esperança por dias melhores após a e vivência de situações difíceis e a energia positiva que uma bonita história de amor é capaz de oferecer. 


Classificação


Leitura com o apoio:


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Nota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera. 

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