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Nas páginas do meu caderno #6

Hoje quero propor-vos uma experiência de leitura diferente. Ler ao som da música que escolhi para escrever um texto. 


Podem clicar aqui para ouvir a música e ler o que se segue.


Fechei-me em casa. Já não aguentava a pressão. O meu cérebro está doente, eu sei! Só não sei como me libertar desta doença.


Passei a apreciar o escuro, para que as lágrimas corressem livremente, sem a luz para as confrontar. Nem sempre saem lágrimas, outras vezes é a apatia, a falta de inércia. A simples vontade de não fazer nada. Desligar! Sim, é isso. Desligar de tudo e de todos, deixar-me estar naquele buraco negro onde não cabe mais ninguém senão eu e as minhas dores.


É estranho como esta doença se manifesta na alma. Há dias em que saio de casa e faço mil e uma coisas, não paro para pensar. Como qualquer coisa com a pressa de chegar onde me esperam. Posso estar ocupada, mas dentro de mim há um vazio que se espalha e eu não consigo explicar. Sorrio para os outros, para o mundo, mas é um sorriso despido de luz; porque essa apagou-se, não sei bem quando, mas apagou-se.


Malditos fantasmas que se atravessam na minha mente. Dizem-me coisas duras: Não vales nada, não és suficientemente boa, não és capaz, ninguém será capaz de gostar de ti. Conscientemente, sei que são coisas que os meus fantasmas fabricam para mim. Porém, o meu lado inconsciente suga-os, alimenta-se destes produtos, deixa que eles se espalhem no meu sistema circulatório e minem todas as coisas positivas que vivem adormecidas dentro de mim.


Vou sobrevivendo ao mundo. Vou mantendo a rotina. Mas chega aquele dia em que não dá mais. Aquele dia em que nenhuma pessoa ao nosso redor é capaz de nos fazer sair da escuridão. Aquele dia em que nenhum amor que nos rodeia consegue calar os fantasmas. Não há culpados nestas coisas. Os outros não estão cegos às minhas dores, eu é que me tornei mestre em disfarça-las e ninguém é capaz de as alcançar.


Hoje vou calar estes monstros, estes fantasmas sugadores. Vou adormecer para a eternidade e levar as dores comigo, sem espaço para culpas… Apenas a minha libertação.


Desafio para vocês: Escolha uma música, escrevam um texto e partilhem comigo.

Comentários

  1. A tua caminhada ainda não terminou.
    A realidade acolhe-te
    Dizendo que pela frente
    O horizonte da vida necessita
    Das tuas palavras
    E do teu silêncio.
    Teus passos ficaram.
    Olha para trás...
    Mas vai em frente
    Pois há muitos que precisam
    Que chegues para poderem seguir-te.
    (Charles Chaplin)

    ResponderEliminar
  2. Desconhecia tamanha beleza de palavras .
    Obrigada pela partilha.

    ResponderEliminar
  3. Ohh, gostei tanto!! E a música soturna adequa-se tão bem às palavras.
    Parabéns pelo texto, é duro, mas infelizmente conheço bem alguns desses sentimentos.

    Vou guardar a publicação para ver se faço o desafio nos próximos dias. :)

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Obrigada .
    Eu sei .

    Vou ficar à espera do teu texto.
    Beijinhos

    ResponderEliminar

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