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Nas páginas do meu caderno #9

Desafio da Elisabete: Descrever um lugar usando todos os sentidos


Lugar 1: Lisboa vista do Castelo de São Jorge


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Sentei-me a observar a cidade que se estendia à minha frente. Há uma luz especial a iluminar as casas, o rio que corre, preguiçoso, em direção ao mar, a ponte que liga lugares que água separa. Uma leve brisa surge no final de uma tarde quente de setembro e ameniza o calor intenso que se fez sentir ao longo do dia. Fechar os olhos e deixar que a brisa nos afague a face o corpo é muito agradável e oferece uma sensação de leveza e quietude. A brisa que me acalma é a mesma que agita as folhas das árvores e nos traz os sons que cobrem o ambiente da cidade. Enquanto as folhas bailam ao ritmo do vento, oferecendo um dos sons mais bonitos da natureza, mais em baixo o som dos carros e as buzinas, numa tentativa de competir pela ocupação do espaço sonoro.
As pessoas espalham-se pelo espaços. As solas deixam marcar nos caminhos de terra que circundam o castelo. Os copos, ao pousar nas mesas, batem e assinalam o fim de uma pausa nas conversas descontraídas que preenchem um final de arde de domingo. Cheira café, a sumo de laranja, a perfumes diversos que aromatizam as peles humanas. As crianças correm e divertem-se a explorar o espaço amplo que têm à frente. 
Eu viro-me para o rio. Achei cara a entrada, mas será que há dinheiro que pague esta vista?


Lugar 2: Coimbra


14051718960_28670e439c.jpg(Imagem retirada da internet)


Diferentes lojas ocupam os lados de uma rua agitada, cheia de movimento e que nos leva até ao Mondego. Pessoas caminham calmamente ao longo da rua, outras ocupam as esplanadas onde saboreiam doces ou bebem café, sumo ou qualquer outra bebida que se ajuste ao gosto de quem a bebe. Desta rua saem diferentes caminhos. Paro em frente daquele que me levará ao topo da cidade. Cruzar aquele arco traz a inevitabilidade de um arrepio na espinha que só os acordes de uma guitarra portuguesa são capazes de provocar. A rua é íngreme e, reza a lenda, que quem lá cair casará na cidade. A calçada gasta está cheia de gargalhadas, música e histórias... e de perigos, caso a chuva decida lavar os espaços. Bolinhos de bacalhau, rissóis e outros petiscos a quem desconheço o nome povoam o ar e fazem estômagos roncar. 
É sempre a subir, uma dura subida que nos rouba o ar dos pulmões. Ruas estreitas, saltos altos que enchem o ar quando tocam na calçada. De uma janela sai música, um metal que soa demasiado alto. De outra, tachos e panelas tocam a sinfonia que antecede uma refeição em grupo, onde não falta o riso e as conversas descontraídas. 
No topo, um dos símbolos do conhecimento oferece memórias pessoais ou de um Carlos da Maia apressado para uma aula de medicina. A Cabra marca o tempo num lugar em que o tempo não passa, porque a memória assim o impede. Ao fundo, uma "varanda" virada para um Mondego que guarda lágrimas de um amor eterno. 
Quem por aqui passa leva a saudade de um tempo que não volta, mas guarda a certeza que a Porta Férrea jamais se fechará para si. 

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