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Opinião | "O ano do pensamento mágico" de Joan Didion

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Este livro está na minha estante desde outubro de 2019. Sabia que era um livro de não ficção e que abordava aspetos ligados ao luto. Por isso, esperava o momento mais certo para o ler. Acho que é preciso um certo estado de espírito e de uma determinada disponibilidade mental para embarcar numa leitura destas.


Com uma escrita muito realista, Joan Didion dá-nos a conhecer a sua forma de lidar com as dificuldades de um ano atípico da sua vida. Ela vive diferentes perdas e o choque que elas estabelecem entre si fazem com que Joan as processe de forma muito particular. 
É um diário muito lúcido das suas fragilidades e dos desafios de vida a que Joan ficou exposta. E nessa lucidez, ela procura desconstruir aquilo que sente e as implicações que todos os acontecimentos trágicos têm na sua forma de estar na vida.


Não foi um leitura complicada, nem alterou o meu equilíbrio emocional. Li de forma mais lenta porque precisava de tempo para poder absorver o conteúdo e pensar um pouco sobre as estratégias cognitivas e emocionais que Joan usou para ultrapassar os seus problemas.


Para quem gosta de livros de não ficção, este parece-me uma boa escolha quer pela pertinência da temática, quer pela forma como ela é abordada. A conjugação destes dois elementos oferecem entusiasmo à leitura e convidam a continuar a avançar pelos pensamentos da Joan.


Classificação

Comentários

  1. Tive o privilégio de ver esta história no teatro, num monólogo brilhante de Eunice Munõz, há alguns anos. E lembro-me de ter ficado fascinada. Recentemente, adquiri o livro, porque andava desejosa de o ler. Acho que tem uma dinâmica muito interessante, que nos ajuda a compreender que, de facto, somos todos diferentes a lidar com a morte e com as perdas. Ainda assim, faltou-me ali algo para ficar completamente arrebatada

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  2. Deve ter sido emocionante, Andreia.
    Concordo! É um livro bom de ler, mas fica a sensação de que falta qualquer coisa capaz e nos arrebatar, de mexer com o nosso emocional de forma mais profunda.

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  3. Saí do Teatro Nacional de São João sem palavras!
    Acho que a maneira como racionalizou tudo acabou por criar uma certa barreira, até porque, no contexto em questão, tendemos a ser mais emocionais. Ainda assim, não deixa de ser uma história que nos desarma

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  4. Uma ótima sensação . Só mostra que valeu a pena.
    Sim, ela racionalizou muito. Eu consigo perceber o seu mecanismo. Foi a forma que ela usou para se proteger. É claro que a somos mais emocionais e o não encontrar isso nas palavras de Joan permite que o leitor crie uma certo afastamento emocional da tragédia que ela viveu. Sem dúvida! São descrições muito lúcidas de momentos terríveis.

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  5. Sem dúvida, ainda para mais tendo em palco uma atriz como a Eunice *-*
    Sinto que a sua abordagem acaba por abrir outra porta, permitindo-nos perceber melhor que todos temos formas muito distintas de lidar com a dor, com a perda, com a morte. E, por isso, também acho que dá alguma validação [não que precisem] a quem as gere como ela. Porque, inevitavelmente, levam com o rótulo de serem pessoas frias ou, pior, que só reagem assim porque não gostavam assim tanto daquela pessoa. O que não se verifica. Mas para quem não é tão racional - ou não se protege dessa forma -, é como tu dizes, acaba por se afastar um pouquinho

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  6. Concordo, Andreia. É como dizes oferece alguma validação às pessoas que expressam o luto como ela. Sim, apesar de não precisarem ainda existem muitos olhares que não aceitam, nem compreendem esta forma de viver situações traumáticas. Por isso, o olhar dela é igualmente importante

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  7. Alarga-nos horizontes e isso não deixa de ser fantástico, ainda que seja sobre um tema tão delicado

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