
A Ana Patrícia, a Cristina e a Silvéria têm um projeto muito interessante que consiste em colocar um livro a circular por entre os leitores que manifestem interesse na leitura. O primeiro livro a percorrer os caminhos de Portugal foi o "Demência" da Célia Loureiro. Na altura não me inscrevi porque queria comprar o livro. Quando vi que iam colocar a circula o "Voar no quarto escuro" de Márcia Balsas decidi inscrever-me e, assim, experimentar um livro de uma nova escritora portuguesa.
"Voar no quarto escuro" é um livro onde cabem muitas vozes. Vozes de mulheres comuns, com as suas rotinas, com as suas relações, com as suas exigências e, acima de tudo, com os seus fantasmas que lhes obscurecem o coração e a mente.
Foram estes fantasmas e a escrita quase poética da Márcia que me ligaram ao livro. Começando pela escrita, a Márcia fez um excelente trabalho na escolha das palavras. Uniu-as; deu-lhes corpo, sentido e beleza. É fácil ler o livro porque a escrita quase que nos embala e nos deixa infiltrados nas vidas destas mulheres.
Todos temos fantasmas. Todos escondemos esqueletos no armário. A forma como lidamos com eles e como os arrumamos dentro de nós é que faz a diferença. O livro ilustra um pouco essa forma diversa de arrumar os fantasmas interiores. Não mostra uma arrumação sempre funcional! Aliás, grande parte das personagens espelham uma arrumação disfuncional e autora conseguiu passar muito bem para o papel o impacto dessa desarrumação mental na vida quotidiana das pessoas e nas relações que estabelecem.
Infelizmente há coisas que se vão perdendo ao longo da narrativa. São muitas personagens, muitas vozes que se acabam por cruzar e isso, por vezes, gerou alguma confusão dentro de mim. Senti que algumas situações não foram totalmente finalizadas. A sensação que ficou é que em algumas personagens faltou qualquer coisa que desse um maior sentido à história delas.
Relativamente à forma como o livro terminou, o final de Eduarda e Antero não me convenceu. Fiquei sem perceber muito bem o que se passou naquela noite.
Em suma, espero que a Márcia continue a escrever para que eu possa conhecer novas histórias e ter a oportunidade de construir uma opinião mais coesa relativamente ao seu trabalho.
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