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Nas páginas do meu caderno # 14

Atreves-te a Escrever_.jpg


E chegou o último desafio. Foi o que menos gostei de escrever. Sinto a minha cabeça cansada e a escrita custou muito a fluir. A ideia do conto já estava na minha cabeça há alguns dias, mas é daqueles que funciona melhor na imaginação. Acho que não consegui materializar bem a ideia em palavras. Deixo-vos o melhor que consegui. 


Agradeço à Elisabete e à Vera esta possibilidade de desenvolver histórias. Obrigada pelo vosso trabalho, pelo vosso incentivo... Obrigada pela vossa generosidade em partilhar a vossa paixão pela escrita com todos(as) nós. 


Agora, o conto:


O que é bom acaba depressa


Deu-me uma bússola e um mapa. E agora, o que é que eu faço com isso?


― Estás a olhar para isso como se não soubesses o que isso é?


― Sei sim, capitão. Não sei é o que espera que eu faça com isto.


― Então marujo... É para descobrimos o tesouro. Temos de lá chegar primeiro que os piratas. Toca a pegar nos remos. E tu vais orientar a nossa viagem.


Pegamos nos nossos remos. Remamos com quanta força havia. O mar agitava-se à nossa volta. Tínhamos pressa de chegar.


Remamos…. Remamos…. Remamos… Parecia que nem saíamos do lugar. Mas de repente…


― Olha marujo, os piratas devem ter mandado alguém primeiro. Olha como ele faz buracos naquela zona da ilha. Vamos atracar e atacar o invasor.


Atracamos o nosso barco e saltamos para terra. Em silêncio, pé ante pé, lá fomos em direção de quem esburacava a terra em busca de um tesouro.


Saltamos e agarramo-lo. Pernas e braços confundiram-se no ataque. Não podíamos ficar feridos. O enviado resistia. Conseguiu escapar às nossas investidas e corria de forma desgovernada pela ilha. Nós fomos atrás dele. Corríamos, corríamos…. Mas ele era resistente.


― Capitão, Capitão! Vai ser difícil apanhá-lo. Ele corre demasiado depressa.


Paramos. O cansaço era grande. O nosso inimigo também parou. Olhou para nós. Parecia divertido por ver que estávamos cansados.


É então que ele começa a correr na nossa direção. Corre cada vez mais depressa. Salta para cima de nós e acabamos todos no chão….


******


― XAVIEEEEEEEEER! MATIIIIIIIIIIAS! É hora do lanche.


A mãe aparece à porta das traseiras. Os olhos arregalam-se perante a confusão que se instalou no jardim. Os miúdos e o Oliver estavam engalfinhados uns nos outros. As gargalhadas dos miúdos eram contagiantes. O Oliver, o cão da família, soltava pequenos latidos de alegria e, nos entretantos, não poupava as crianças de umas boas lambidelas.


O jardim esta um caos. A bacia, que outra tinha água limpa, estava meio vazia e com uma água um pouco escura. Ao lado jaziam vassouras e esfregonas. Assim como um mapa roubado do carro do pai e a bússola que Xavier havia recebido no Natal. Numa outra parte eram tantos os buracos feitos pelo Oliver que mais pareciam as crateras da lua.


― Meninos, podem dizer-me o que é que se passou por aqui?


Xavier e Matias libertam-se de Oliver e vão ter com a mãe.


― Bem, mãe… Só estivemos a brincar aos marinheiros e aos piratas. Andávamos à procura de um tesouro. Mas o Oliver fez demasiados buracos.


― Estou a ver!! Só quero saber é quem vai arrumar esta confusão e tapar os buracos.


A mãe olha para Oliver. O cão parece divertido. A língua ainda está de fora devido ao esforço da brincadeira.


― Mãe? – Xavier chamou a atenção da mãe que ainda estava concentrada em avaliar os estragos da brincadeira dessa tarde.


― Sim, filho.


Baixou-se para ficar ao nível deles e poder olhá-los nos olhos.


― Nós ajudamos a arrumar tudo e a tapar os buracos, mas…


― Mas?


Os dois irmãos trocaram um olhar de reconhecimento.


― Precisamos de uma piscina… Como uma daquelas que vimos no supermercado ao lado da casa da avó. É que navegar numa bacia é muito mau. Não temos espaço. Eu e o mano ficamos muito apertados. Batemos com os nossos remos uns nos outros.


A mãe abanou a cabeça e sorriu. Não havia nada a fazer. A imaginação fértil daqueles miúdos  nunca iria acabar. E ainda bem.


― Prometo que vou pensar no vosso pedido.


― Tens de pensar rápido. Queremos o nosso mar antes que o verão e as férias acabem.


Soltou um suspiro e ergueu-se. Pegou nas mãos dos filhos e levou-os para dentro.


― Vá, vamos limpar o corpo da sujidade da vossa aventura e vamos lanchar.


 

Comentários

  1. Olá 😊
    Podes não achar que ficou bom, mas a história cativou-me. Gostei muito da forma como abordaste o tema: divertida, espontânea e com humor. Parabéns.
    Mais uma vez obrigada por abraçares a tua imaginação e escreveres o que vês. Foi um mês intenso, mas a sensação de realização vale ouro 💜 um enorme beijinho 😘

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  2. Olá, Silvana,
    Este conto está muito engraçado, gostei imenso das tuas descrições do início e de como contrastaram com as brincadeiras dos miúdos. Senti-me como se estivesse mesmo num barco pirata e, depois, no jardim, com o Oliver. É um conto muito terno. :)
    Obrigada por teres participado! Esperamos ver-te na Gala Mais Assustadora, no sábado, dia 31, às 16h. :)
    Um beijinho,
    Elisabete.

    ResponderEliminar
  3. Olá,
    Obrigada! A minha sensação é de que não ficou muito bem... Mas o olho próprio é sempre mais crítico.
    Eu é que agradeço a oportunidade .
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Olá Elisabete,
    Obrigada. Olho próprio é sempre mais crítico e, de facto, acho que os outros saíram melhor.
    Vou fazer por estar presente na Gala.
    Beijinhos.

    ResponderEliminar

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