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Opinião | "Razões para viver" de Matt Haig

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Na altura em que este livro saiu foram publicadas opiniões muito positivas. 
A minha área de formação está intimamente ligada à Saúde Mental. Por isso, tinha imensa curiosidade em conhecer o conteúdo deste livro. 


"Razões para viver" é um relato na primeira pessoa de alguém que lutou contra a depressão e a ansiedade; duas doenças mentais muito graves, incapacitantes e que, muitas vezes, são desvalorizadas pela população em geral.


O autor fez uma descrição muito lúcida daquilo que viveu nos períodos mais complicados da doença. Numa linguagem simples e acessível, Matt consegue colocar em palavras os sentimentos e as emoções dolorosas que o assolaram, ao mesmo tempo que vai apresentando de que forma foi combatendo as sombras negras que se abatiam sobre a sua mente.
Para mim é impossível ler este livro desconectando-me do meu lado profissional. Por isso, à medida que ia lendo, ia fazendo algumas reflexões mais complexas tendo em consideração os meus conhecimentos e a forma como Matt ia conseguindo vencer o sofrimento psicológico que o acorrentava. 


Matt teve lucidez suficiente para perceber que não estava bem. Teve ao seu lado pessoas que foram capazes de lhe dar esperança, de o agarrar à realidade e ajudá-lo a ultrapassar os seus problemas. Além disso, ele foi capaz de descobrir um conjunto de atividades que despertavam nele emoções positivas e lhe ofereciam sensações de bem-estar e alguma "normalidade". 
Ao longo de todas essas descrições, Matt deixa algo que eu considero muito importante: cada pessoa tem a sua forma de lidar e superar os seus sentimentos negativos. O que funciona para umas pessoas, pode não funcionar para outras. 
Eu sou muito sensível a esta questão. Na minha prática clínica, eu procuro sempre descobrir com a pessoa que tenho à minha frente a melhor forma de intervenção que a levará a ultrapassar aquilo que a levou a pedir ajuda. 
Sei as teorias, sei as técnicas (que vou sempre aperfeiçoando com pesquisa e leitura), mas o conhecimento que detenho sobre elas deve ser ajustado às características da pessoas  e às necessidades que ela evidencia. Nem sempre é fácil desenvolver esta sensibilidade, mas é um exercício que procuro sempre fazer. 


Outro ponto interessante que retiro desta leitura é a desmistificação em relação ao suicídio. É comum as pessoas apelidarem-no de "ato corajoso" ou "ato de cobardia", depende do ponto de vista. Matt acaba por mostrar que o suicídio não é nenhuma destas duas coisas. 
O suicídio é, quase sempre, uma forma de acabar com o sofrimento psicológico. Sofrimento este que é tão intenso que o suicídio é a única forma capaz de silenciar essa for.
Por isso, dizer-se que uma pessoa com depressão foi corajosa ou cobarde optando pelo suicídio é errado e, ao mesmo tempo, é uma forma de desvalorizar um sofrimento demasiado intenso e silencioso.


"Razões para viver" é um livro que está construído para que qualquer pessoa possa ler e inspirar-se na forma como Matt lutou para ultrapassar algumas das suas dificuldades.


Classificação


 

Comentários

  1. Ainda bem que gostaste, é um dos livros da minha vida <3

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  2. Parece realmente muito interessante. A tua opinião está mesmo bem estruturada e deixou-me curiosa. E eu raramente leio não-ficção.

    Beijinhos

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  3. Consigo perceber os motivos para tal. Digo-te não esperava gostar tanto.
    Já leste o outro livro dele ("O mundo à beira de um ataque de nervos")?

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  4. Eu acho que era bem capaz de gostar, Daniela. É uma leitura bem simples e com uma visão muito realista sobre depressão e ansiedade. Tenho mesmo pena de já não o ter comigo para te emprestar.

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  5. Já há algum tempo que estou com vontade de ler este livro e fiquei com ainda mais! Sigo o autor no Instagram e gosto muitos das partilhas que faz e do ativismo em prol da saúde mental e não só.
    Estou também muito curiosa para ler o novo livro dele "Midninght Library" que acompanha a Nora no pós-morte, quando chega a uma biblioteca, em que cada livro é uma versão diferente da sua vida, caso as opções que tomou tivessem sido diferentes. A crítica tem sido muito positiva e a premissa parece-me extremamente interessante.

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  6. Acho que vais gostar. É óbvio que para alguém que lida no seu trabalho com estas questões da saúde mental não vai aprender nada de novo. Porém, a visão dele é tão realista que o livro se transforma num conteúdo muito interessante para a população em geral. De forma muito simples e clara e descreve a sua experiência e deixa espaço às reflexões pessoais de cada um. Eu gostei muito de conhecer a posição dele e as ferramentas que ele usa para conseguir dar a volta à sua vida.
    Esse parece ser bem interessante também . A escrita dele é bastante acessível e cativante, isso aliado a essa premissa é de ficar com enorme vontade de ler.

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