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Opinião | "A troca" de Beth O'Leary

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Não há nada tão pessoal como a forma como cada ser humano escolhe lidar com a dor emocional. Gerir emoções negativas é um processo individual e que obedece a leis muito próprias. 
Infelizmente, o julgamento social sobre o comportamento adotado na hora de lidar com emoções tristes ainda está muito presente. 


A gestão emocional é um dos assuntos mais profundos retratados neste livro. É interessante perceber que um assunto tão sério é abordado de forma muito inteligente recorrendo a um tom divertido e descontraído. Esta forma descontraída de abordar coisas séries parece ser uma característica muito pessoal de Beth O'Leary.


Eileen e Leena, avó e neta. Mantêm uma relação especial, mas as respetivas vidas precisam de uma certa agitação. Eileen tem sede por conhecer a vida na cidade, Leena precisa de sair da ilha para ver a ilha. As duas acabam por trocar de lugares: Eileen vai para a casa da neta em Londres e Leena vai para a casa da avó que fica numa zona mais rural e cheia de particularidades. Cada uma, à sua maneira, me ofereceu momentos muito divertidos. O quotidiano de cada uma delas é cheio de peripécias que conjugam um lado divertido com um lado mais sério relacionado com o luto, superação e auto-conhecimento. 


A questão do auto-conhecimento é um elemento muito forte neste livro. Acho que todas as personagens o vão desenvolvendo à medida que a narrativa avança. Eileen olha para a cidade e vê nela apenas um espaço para bons momentos. A sua passagem por Londres permitiu que ela apreciasse de outra forma a sua vida num lugar mais pacato. Aprendeu imenso na sua vida na grande cidade, conseguiu levar o seu espírito comunitário para o meio da selva citadina e soube olhar para dentro dela com outros olhos. Leena foi quem mais cresceu. Conseguiu ver para além da agitação dos seus dias, esforçou-se por aceder ao coração de um conjunto de pessoas que passou a ser importante para ela. Identificou os seus limites e as suas necessidades, redefiniu sonhos e atribuiu um novo significado ao amor romântico.


Há um grupo de idosos super divertido que confere à história uma dinâmica muito interessante. Também a vida deles é um equilíbrio entre o lado engraçado da vida e o lado sério e com problemas urgentes para serem resolvidos. 


Foi bom descobrir uma esta autora. Li o livro numa altura em que necessitava de uma história com uma mensagem positiva e com um final feliz. Este tipo de livros é uma "vacina" contra os dias taciturnos e problemas pessoais que me obrigam a reagir. "A troca" foi um "aspirador" mental das más energias. Fiquei com imensa vontade de ler mais livros da escritora. 


Já leste algum livro desta escritora? Qual foi a impressão com que ficaste da leitura?


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