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Inquietações #2

Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para


27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto


76 anos depois da libertação de Auschwitz continua a ser fundamental não esquecer as histórias que a História guarda. Para nós é impossível imaginar as dores que as vítimas do Holocausto carregaram e carregam, mas inquieta-me o medo que devem ter sentido anos antes. O medo que sentiram quando o mundo entrou numa mudança que culminou numa guerra e num racismo e xenofobia sem precedentes. 


Numa altura em que os movimentos de extrema direita ganham força na Europa, espalhando mensagens de intolerância, urge lembrarmos cada uma das pessoas que lutou, sobreviveu ou que sucumbiu ao comportamento desumano de homens que tiveram coragem de fazer coisas horríveis a seres tão humanos quanto eles. 


Os anos avançam e vão sendo cada vez menos as testemunhas vivas dos horrores do holocausto. E, por isso, é cada vez mais importante avivar a memória e aprender com a História para que não se repitam os horrores de outros tempos.


Muitas vezes me perguntei o que pensavam e o que sentiam todos aqueles que espalharam o terror nos diferentes campos de concentração. O que é que eles sentiam a olhar para aquelas crianças, para aqueles homens e mulheres que ficavam sem nada. Até a dignidade lhes era roubada. É certo que devem ter recebido uma boa lavagem cerebral. Foram treinados e instruídos para espalharem aquilo que só era terror aos olhos dos outros. Cognitivamente consigo entender. Emocionalmente só nascem dúvidas e incompreensões. 
Como terá sido para eles o depois. A guerra acabou, os campos foram libertados e os horrores foram ficando visíveis. Como é que ficou a consciência destes homens e mulheres que durante anos se dedicaram a criar e alimentar um inferno real? 


Talvez não haja uma explicação em concreto. O ser humano é mau por natureza. O ser humano consegue fazer o melhor e o pior com o seu comportamento. A humanidade e a empatia existiam em doses pequenas, ou simplesmente não existiam. 


Hoje em dia parece que estas doses continuam a ser servidas em doses pouco saudáveis. E isso tem dado espaço aos discursos sensacionalistas, ao ódio gratuito e à intolerância perante a riqueza que nasce da diversidade do ser humano.
Não podemos calar as vozes que semeiam concórdia, paz, respeito, humanidade e empatia. Devemos exaltá-las para que consigam se sobrepor a discursos que conduzem ao fim de um conjunto de direitos e deveres que outros, no passado, lutaram para conquistar.


Por tudo isto, hoje é dia da memória. É dia de lembrar aqueles e aquelas que caminharam sobre a neve que cobria caminhos de dor, sofrimento. A fome foi uma companheira fiel daqueles e daquelas que tiveram a sorte de escapar as seleções indiferenciadas para os "banhos" finais. É dia de admirar cada um dos prisioneiros que teve de engolir o seu próprio sofrimento, adormecer as suas emoções para, a cada dia, ser capaz de enterrar um dos seus ou colocá-los nos crematórios. 
É dia de lembrar, também, os gestos de bondade que aconteceram em silêncio. Lembrar aqueles e aquelas que lutaram contra as regras e ajudaram anónimos, amigos e conhecidos. 
Quero acreditar que foram muitos os gestos de bondade. Só foram insuficientes porque a máquina de destruição foi enorme e movida com um tipo de ódio que não está, ainda, eliminado. 


Cabe-nos a nós mantê-lo adormecido, lembrando estas lutas e aprendendo com aquilo que a História nos deixou. 

Comentários

  1. Gostei deste texto em jeito de memória de um momento trágico da humanidade. Deste tenra idade que toda esta temática me toca muito.

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  2. Palavras que precisam de ser lidas e repetidas!

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  3. Memórias que devem estar sempre presentes para que as coisas erradas do passado não voltem a repetir-se.
    Obrigada pela leitura e pelo comentário.

    ResponderEliminar

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