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Opinião | "O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro

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"O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro foi o vencedor do Prémio Leya em 2011. Muitas vezes, quando leio livros que venceram um qualquer prémio literário questiono-me acerca dos critérios usados pelo júri para selecionar a obra vencedora. Tenho consciência que a leitura e a interpretação que cada um faz das obras que lê tem uma forte componente subjetiva, mas acho que deveriam existir critérios mais específicos de forma a tornar transparente todo o processo.


Quando uma obra sai vencedora de algo é inevitável que eu, enquanto leitora, crie expetativas um pouco elevadas relativamente à obra. Estava ligeiramente expectante em relação a este livro. Pensei que me ia trazer uma história envolvente de um Portugal diferente daquele que eu conheci. Mas este histórico e político e mal explorado. Vão surgindo algumas referências à ditadura, à revolução e ao pós 25 de abril, mas não ocupam grande destaque na contextualização da obra.


Quanto ao resto, senti-me a oscilar entre a compreensão e a confusão. Há passagens interessantes, com um conteúdo que me permitiu acompanhar o crescimento das personagens, mas existiram outras partes pouco claras, confusas e que não pareciam encaixar de forma coerente e sequencial na história que estava a ser contada. Há momentos muito aborrecidos, onde a narração se resume à partilha de factos do quotidiano. Apesar de eu ter conseguido perceber qual a intenção do escritor, só me senti a navegar por palavras e factos desprovidos de emoção e de profundidade. 


É difícil para mim identificar uma tipologia de leitores a quem este livro possa interessar. É complexo e está muito dependente da nossa subjetividade e experiência enquanto leitores. Por isso, na dúvida experimenta e arrisca a ler este livro.


Classificação

Comentários

  1. Tinha alguma curiosidade em relação a este livro, mas confesso que, agora, fiquei um pouco na dúvida

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  2. Andreia, eu sou sempre a favor que as pessoas experimentem . Como num post que escreveste estes dias, cabe tanta subjetividade na nossa experiência de leitura que devemos decidir por nós ler ou não determinado livro.
    A minha partilha de opiniões sobre livros nunca foi influenciar as pessoas a comprarem ou não os livros que eu vou lendo. Se influenciar pela positiva, ótimo! Fico mesmo feliz por isso acontecer. Porém, o que eu gosto mais é a discussão boa que pode surgir das diferentes experiências de leitura.

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  3. Sim, também defendo isso, até porque acho que é importante que as pessoas tirem as suas próprias ilações.
    O que eu queria dizer era que, se calhar, vou acabar por priorizar outras obras :)
    Entendo, sou igual!

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