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52 perguntas | 22 # o meu percurso escolar

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Imagem by Darkmoon


O meu percurso escolar oferece, em simultâneo, memórias boas e dolorosas. Fui, aquilo que hoje se denomina, uma aluna condicionada. Entrei na escola sem os seis anos feitos. Entrei na escola sem conhecer nada do universo escolar, retirando a parte dos conteúdos (já conhecia as letras, os números e fazia pequenos cálculos). Nunca andei numa creche, numa frequentei o ensino pré-escolar. 


A parte mais complicada da escola foram as relações. Sempre tive dificuldade em encontrar pessoas com as quais me identificasse. Introvertida, metida na concha! Imaginam o terror? Fui alvo de alguns comentários desagradáveis, fui alvo de comportamentos que me deixaram desconfortável e acabei por focar toda a minha energia no desempenho escolar. E fui andando. Passando de ano, sempre com boas notas, prémios de mérito, KitKats oferecidos pela professora de Português do 6º ano por cada muito bom (sim, colecionei alguns chocolates)... A minha única negativa na pauta foi no 7º ano, à disciplina de Educação Física. Sempre fui muito descoordenada. Odiava as aulas de ginástica (tinha sempre um medo enorme de partir o pescoço naqueles saltos e cambalhotas intermináveis.
Em termos de relações, o melhor ano foi o 9º. Fiz bons amigos nesse ano. Não ficaram, como não ficou nenhum dos outros, mas deixaram boas lembranças e a sensação de que era capaz de me relacionar de forma significativa com outras pessoas. No final deste ano, ganhei um pequeno troféu de "Melhor aluna" da escola e que eu guardo com muito orgulho. 


O secundário representa a minha primeira grande travessia no deserto da vida. Foram anos horríveis para mim. Foi aqui que eu senti o peso da solidão, o peso de não partilhar nada ou quase nada com as pessoas com quem dividia a sala de aula. Foram anos muito duros, de muito choro. Ficou-me uma aprendizagem: não preciso de ninguém para fazer o meu percurso. Acho que o impacto foi mais complicado por causa das boas relações que construi no último ano do ensino básico. Caso contrário, acho que não me teria sentido tão perdida. Foram muitas mudanças para assimilar. 


Não tenho relações de amizade desta minha etapa do percurso escolar. Tenho conhecidos. Pessoas por quem passo e que vou falando, mais nada. Há coisas que são mesmo assim, não há forma de controlar. Felizmente, o percurso alinhou-se e outras pessoas entraram na vida numa fase posterior, que será descrita na próxima semana.

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