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Opinião | "Eva" de Arturo Pérez-Revert (Falcó #2)

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Acho que as histórias de espiões não são para mim, ou eu nunca me cruzo com este tipo de livros na altura certa para os ler. 
Não sei se o facto de não ter lido o primeiro volume desta série, e que antecede este livro que partilho hoje contigo, me dificultou esta leitura. Consegui perceber, em traços gerais, o que norteava a história de "Eva", contudo, foi doloroso avançar na leitura. 


Senti falta de ação, de dinamismo, de personagens carismáticas capazes de me tirar o fôlego. Tudo se arrasta, como se o calor de Tânger se infiltrasse nas personagens e as limitasse na gestão os seus comportamentos. Foi como se o calor as adormecesse e fizesse levitar em torno dos locais e das situações.


A Eva apareceu demasiado tarde no livro. Ela tinha uma dinâmica interessante com Falcó, mas surge na última parte do livro e deu pouco de si àquelas páginas. 
Falcó parece um burguês que se perde nos bares e entre os lençóis de mulheres atraentes. As suas competências enquanto espião ficam um pouco apagadas por entre a "mastigação" de situações que vão desfilando ao longo do livro. Tem ali algumas questões se saúde que se traduzem em comportamentos caricatos, mas em nada acrescentam à história e à forma como tudo se desenvolve. 


Há umas lutas e umas conspirações que, na minha opinião, não têm o protagonismo necessário. A riqueza do contexto histórico também não é aproveitado pelo escritor. Acho que poderiam ter sido introduzidos mais elementos sobre a Guerra Civil Espanhola e sobre o clima que pairava antes da Segunda Guerra Mundial ter explodido na Europa.


Não fiquei com vontade de ler mais livros desta série. Acho que até foi uma experiência de leitura um pouco traumatizante. Lia sempre na esperança de que algo interessante me apanhasse e me envolvesse na história. Infelizmente, esse momento nunca chegou e só o terminei porque quando a vontade de desistir começou a soar na minha cabeça já ia com a leitura bem avançada. Este meu arrastar pelas páginas, a dificuldade em avançar na leitura e a desconexão que eu sentia com tudo aquilo que lia, estavam a deixar-me desconfortável. 


Gostava de conhecer as impressões de quem leu o livro e gostou de forma a tentar perceber se conseguiram detetar coisas que me poderiam ter escapado.
Quem leu o primeiro volume, ficou com vontade de ler os seguintes? O que é que te apaixonou no livro?


Classificação


 

Comentários

  1. Se uma história de espiões for bem escrita e intensa, todas as alturas são certas!
    Pelos vistos, não é o caso deste livro.

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  2. Só li um livro do autor - O Pintor de Batalhas e confesso que também não me deixou com vontade de conhecer mais obras suas

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  3. Não, este livro tem carência de intensidade.
    Sinto que ainda não encontrei o livro de espiões certo para mim.

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  4. Parece que o autor não nos deixa a vontade de ler mais das suas obras.

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  5. Sinceramente, de espiões ainda não apanhei nenhum que me arrebatasse completamente. Mas livros de policiais, onde os crimes são muitos maus e de um de fantasia totalmente diferente do que já li, isso sim.

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  6. Donato Carrisi e Paul Hoffman, conheces?

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  7. Nunca li nada deles. :)
    Dos dois só conheço Paul Hoffman. Nunca tinha ouvido falar do Donato Carrisi.

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  8. A triologia da mão esquerda de Deus, arrebatou-me. Do Carrisi, pesquisa o sopro do mal, atenção que não é para sensíveis.

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  9. Muito obrigada pelas sugestões. O do Carrisi há na minha biblioteca municipal (já fui pesquisar ), por isso virá da próxima vez que eu lá for. Eu aguento!
    "Messias" de Boris Starling foi um daqueles que deu volta ao estômago.

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  10. Boa. Não conheço, vou pesquisar.

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