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Opinião | "O cavalheiro inglês" de Carla M. Soares

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"O cavalheiro inglês" foi a minha última leitura das férias. As expetativas estavam altas! Depois de ter adorado "O ano da dançarina" espera cruzar-me com uma leitura capaz de me oferecer bons momentos e uma história para recordar. Esta história conseguiu estar à altura das minhas expetativas e foi uma excelente forma de terminar as leituras das minhas férias. 


A ação deste livro decorre no final do século XIX, num Portugal ferido pelos ingleses em consequência do Ultimato Inglês e com muito descontentamento relativamente à Monarquia. 
O contexto social está muito bem apresentado. Foi muito fácil conseguir-me situar naquele tempo, naquele espaço e viver o desafios sociais, económicos e políticos que marcaram aquela época. 


Numa escrita muito acessível e sem floreados, a escritora levou-me numa viagem por outros tempos. As descrições dos espaços, das roupas, das personagens e do seu mundo interior são aspetos muito bem conseguidos e que oferecem um realismo muito grande ao livro. 


Sofia é quem merece o destaque da obra. Ela e o irmão alimentam o dinamismo do livro. Partilham uma relação única, mas vivem a realidade de forma diferente. É uma personagem feminina capaz de inspirar as leitoras. Numa época em que as mulheres não tinham voz ativa na sociedade, Sofia ousou ser diferente. Foi muito interessante assistir às suas lutas, aos seus dilemas morais e à forma como desafiou preconceitos e vontades masculinas. Teve a capacidade de se afirmar no seu espaço e fazer conquistas que lhe trouxeram muita felicidade. Robert parecia ser mais feroz. Um inglês respeitador, trabalhador e que protagoniza diálogos muito, muito realistas. É fácil reconhecê-lo no livro. 


O elemento romântico que alimenta a história é crescente e simboliza liberdade, conquista e a quebra de preconceitos. Os protagonistas desta história de amor sabem alimentá-la; se por um lado olham para a união como um negócio e uma forma de resolver a situação, por outro os sentimentos vão crescendo e permitem a criação de laços mais coesos. 


Nesta narrativa há espaço para muito elementos: História, amor, aventuras, crime e fugas. É um livro cheio de dinamismo, sem espaço para aborrecimento. 


É um livro que ilustra o crescimento da escritora. Comparativamente ao livro "Alma rebelde", este está mais coeso, com as passagens bem desenvolvidas e descritas e mais aprofundado na contextualização histórica. Colocando-o na balança de preferências, este é umas gramas mais leve que "O ano da dançarina". 


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