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Opinião | "Filosofia felina" de John Gray

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Considero-me uma pessoa mais ligada aos cães do que aos gatos. Sempre me identifiquei com a lealdade dos cães e a forma especial com que criam laços com os humanos. Os gatos pareciam-me figuras distantes, egoístas e que olhavam para os humanos como alguém que lhes pode satisfazer as suas necessidades. 


Tive um cão durante quase 15 anos e, no último ano dele, uma gata acabou por entrara em casa sem querer. Acho que ela nos escolheu. Ou escolheu o meu cão, já que foi com ele com quem ela começou a sua jornada de se infiltrar aqui em casa. Foi uma amizade improvável, mas sentida. No dia em que o meu cão morreu, ela mostrou-se perdida e miava muito; como se estivesse a chamar pelo seu amigo. E aqui comecei a olhar para os gatos de outra forma.


Ela foi essencial nesta transição numa casa com cão e sem ele. A Riscas é um animal discreto, que adora fazer longas sestas ao sol ou em lugares quentes. Não abdica dos seus passeios pelos campos, onde passeia de forma descomprometida, sem pressa de chegar onde a esperam. É livre!! E essa liberdade, serenidade e calma inspiram-me. 


Esta nova visão sobre os gatos fez-me apreciar muito este livro de John Gray. Ele partilha histórias inspiradoras onde os gatos são protagonistas ao mesmo tempo que se alonga em reflexões sobre a essência humana e o quão ela poderá beneficiar se se aproximar mais da forma de viver dos felinos. 


O autor recorre a uma linguagem muito simples e fácil criar uma ligação com o livro. É uma ligação mais filosófica, de aprendizagem e reflexão, da qual eu gostei muito. Dei por mim a parar em determinadas partes para analisar mais profundamente a mensagem que elas estavam a transmitir.


O livro termina de uma forma muito curiosa. O autor apresenta-nos dez conselhos felinos para uma boa vida que me deixaram uma boa sensação final. De todos destaco o "Durma pela alegria de dormir" e "Cuidado com quem o quer fazer feliz". É verdade que nunca vi animais tão plenos a dormir como os gatos. Eles são felizes só pelo simples facto de se puderem estender ao sol e fazer uma sesta revigorante. É bom dormir e deixa-os felizes. Acho que é importante esta visão do sono. Relativamente à necessidade de termos cuidado com quem diz que nos quer fazer feliz é algo que merece uma análise mais profunda. Primeiro, nós temos de ser felizes por nós próprios. Por outro, quais os reais motivos de quem nos diz que nos quer fazer feliz? Será que está infeliz ou em sofrimento e alimenta-se das nossas energias para se sentir melhor? Será que também espera que seja o outro a proporcionar-lhe a felicidade que ele não sente? É complexo e pode ter mil e uma leituras. Mas a verdade é que um gato é feliz por si próprio e pela sua vida. Não almeja fazer o humano feliz, nem espera que seja o humano a dar-lhe a felicidade. Também não a procura. É um ser que se limita a ser feliz na sua condição e por tudo aquilo que a vida de lhe oferece. 


Como é que o teu gato/cão entrou na tua vida? Tens alguma história engraçada para partilhar? Fico à espera dela nos comentários.


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