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Por detrás da tela | "Elementos secretos" (2016) e "A ganha pão" (2017)

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Quando li o livro "Elementos secretos" fiquei um pouco desiludida. Achei um livro demasiado factual e de leitura pouco aliciante. Estava muito curiosa para perceber como é que a adaptação tinha sido feita. E que bela surpresa eu encontrei!


O filme está extremamente fiel ao livro, porém a transformação dos factos em imagens ofereceu um tom mais realista e envolvente à história de Katherine, Dorothy e May. É muito entusiasmante assistir à transformação que estas mulheres operaram no mundo da engenharia, da astronomia e da matemática. Mulheres, negras a vencer e a lutar num mundo dominado por homens brancos.


A ação decorre numa época em que a população negra ainda se confrontava com muitas barreiras, como por exemplo casas de banho e escolas só para população negra. As oportunidades eram muito diferentes e estas mulheres sofriam isso.


Para mim, o filme foi muito bem conseguido e transmite uma mensagem inspiradora.


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"A ganha pão" é uma verdadeira obra prima. É um filme sensível, duro e que dá voz a uma realidade tão dolorosa e à qual não devemos ignorar.


Parvana é apenas uma menina de apenas de 11 anos que vê a sua vida mudar com a chegada dos Talibã ao Afeganistão. O pai acaba por ser preso injustamente e ela, a irmã e a mãe ficam numa situação extremamente delicada. Pelas regras Talibã, as mulheres não podem trabalhar fora de casa, nem andar na rua sem estarem acompanhadas por um homem da família.


Esta criança reinventa-se e tentar salvar-se a si, à sua família e ao seu pai. Parvana corta o cabelo, veste roupa de rapazes e infiltra-se numa realidade de injustiças que revolta o espetador. 
Foram tantas vezes que me apeteceu saltar para dentro do ecrã e abraçar Parvana. Queria dar-lhe colo, queria mostrar-lhe que há lugares onde as meninas e as mulheres podem sê-lo em liberdade. Podem estudar, escrever histórias e vivê-las. 


O poder das histórias também está muito bem representado. São as histórias que inspiram esta menina, que lhe dão coragem e força para fazer frente à realidade com que é confrontada.


Foi o último filme que vi em 2021. Ficar-me-á na memória e vou querer rever pela beleza da mensagem e para não me esquecer que ainda há lugares no mundo onde as meninas só conhecem a liberdade através da sua imaginação.

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