
Poderia ser apenas uma série sobre xadrez, contudo Gambito de dama conseguiu oferecer-me enormes momentos reflexivos ao mesmo tempo que me deixou completamente fascinada pelo jogo.
A série é a história de Beth, uma jovem com um percurso de vida complexo que vai determinando a evolução da narrativa. Cada episódio é uma verdadeira avalanche de emoções, vicia; fidelizou-se à série de uma forma verdadeiramente obsessiva. Foi muito fácil ver os nove episódios em dois dias, porque a forma como se me senti absorvida motivou a necessidade de conhecer o percurso desta rapariga, fascinar-me com o seu prodígio e a sua resiliência; mesmo nos momentos em que quebra e se embrenha em comportamentos menos saudáveis.
Ao longo dos episódios conhecemos uma Beth criança, onde uma fatalidade faz com que ela seja acolhida num orfanato. Este local irá alicerçar o melhor e pior da sua vida. Aqui ela irá desenvolver um talento admirável, irá adquirir capacidades que lhe permitirão afirmar-se num meio dominados pelos homens. Por outro lado, será o local que a fará conhecer o lado das dependências, aspeto que a destruirá ao longo do seu percurso de vida. Apesar tudo, o crescimento da Beth e aquilo que ela alcance mostram que o nosso passado não determina o nosso futuro. Temos sempre a possibilidade de construir uma versão mais positiva ou mais negativa do nosso futuro. E é aqui que vamos assistindo o desenvolvimento da resiliência de Beth e a procura por uma versão melhor de si mesma.
O talento e a inteligência de Beth andam de mãos dadas com o seu sofrimento psicológico. Ela busca no xadrez a forma de cobrir os buracos emocionais que caracterizam a sua essência. Há momentos de desconforto, onde queria abraçar a Beth e mostrar-lhe que haviam mais caminhos para além daqueles por onde ela enveredava. E eu não estava sozinha nesta vontade. A série demonstra a importância de ouvirmos as mentes lúcidas que nos rodeiam e que nos ajudam a desenvolver a melhor versão de nós próprios, mas para isso precisamos de estar disponíveis para adotar essa versão. Beth precisou de algum tempo para interiorizar esta constatação.
De facto, não devemos tornar-nos escravos das nossas paixões. É importante que não vivamos obcecados pelos nossos interesses, para não corrermos o risco de sermos engolidos por eles ao mesmo tempo que anulamos todas as outras áreas da nossa vida.
Mas a vida é aprendizagem e os nossos talentos devem ser cuidados e alimentados, mas isto a Beth sempre soube como fazer. Foi curiosa, autodidata! Tornou-se numa verdadeira inspiração.
Acredito que o sucesso da série advenha das brilhantes interpretações, do guarda roupa lindíssimo e da banda sonora que dá uma tonalidade ainda mais especial às cenas. Pessoalmente, sinto que a série será inesquecível pois viverá na minha memória por muito tempo.
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