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Opinião | "A grande solidão" de Kristin Hannah

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Até ao momento, este foi o melhor livro que li em 2022. Já muito tinha lido sobre o encanto que as obras de Kristin Hannah têm nos leitores, mas eu continuava um pouco resistente a pegar nos livros da escritora.


Cruzei-me com este na biblioteca e decidi trazê-lo para ver como corria a leitura. Ainda bem que o fiz!! A grande solidão ficou-me entranhada na alma. Não sei se foi o sofrimento palpável pelo qual as personagens passaram; ou se o silêncio do Alasca e as suas particularidades de ambiente mais introvertido, reservado, único e muito próximo das características da minha personalidade que me aproximaram desta narrativa. Terminei a leitura em abril e ainda hoje não consigo definir com clareza o quão este livro mexeu com as minhas emoções e sentimentos. Só sei que ainda hoje me recordo da Leni e das suas lutas; o Matthew e a sua doçura; da coragem de Cora e da resiliência e união de uma comunidade capaz de fazer pela vida daqueles que acolhe.


Para mim, comunidade é uma palavra essencial nesta história. Poderia falar do stress pós traumático, da violência doméstica, de adolescentes com dificuldades em inserir-se num determinado ambiente... Todos eles temas importantes e retratados no livro de forma magistral. Contudo, foi o conceito de comunidade e a importância que ele ganhou na narrativa o que se destacou aos meus olhos. Uma comunidade que acolheu a família de Leni e a protegeu sempre que conseguiu. Infelizmente, as marcas profundas do sofrimento criam brechas de dúvida, incerteza e interferem nos níveis de confiança que possamos desenvolver. Leni e Cora sentiram esse fio de dúvida e tomaram opções pensaram ser a melhor forma de se protegerem.


O Alasca tornou-se magia perante os meus olhos. Kristin materializou em palavras as paisagens, as auroras boreais, o frio cortante e preenchido de neve, os longos dias de verão a preparar o próximo inverno enchendo a despensa de mantimentos. As descrições destes locais nas diferentes estações do ano são soberbas e oferecem um toque muito especial a este livro. É a solidão do Alasca que serve de metáfora à solidão interna das personagens. Foi soberba a forma como tudo se articulava, conferindo um toque muito especial a todos os acontecimentos que foram surgindo ao longo do livro. 


Quero ler mais livros desta escritora e sentir tudo o que me for possível sentir. Quero mais histórias que me arrebatem a alma e me deixem com vontade de saltar para aqueles cenários e abraçar o sofrimento de corações bons. 


Já leste outros livros da escritora? Indica-me outro onde posso viver todas estas sensações. 


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