Nos inícios do blog gostava de partilhar poesia. Na altura dei-lhe o nome de Poetic dreams, mas acabei por abandonar a rubrica sem um motivo plausível. Eu gosto de poesia, mas leio menos do que aquilo que devia. Quero mudar isso este ano e achei que seria uma boa altura para recuperar a rubrica passada. No entanto, queria um novo nome e lembrei-me de um poema que me curou a alma num período complicado e nasceu o nome "A poesia cura".
Como forma de inaugurar o regresso dos poemas ao blogue escolhi o tal poema que me curou, Sísifo de Miguel Torga.
Sísifo
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII
Num dia particularmente complicado, numa fase um pouco negra da vida, uma amiga, enquanto me dava suporte emocional ao telefone, leu-me este poema. De forma pausada, fez-me sentir cada palavra, semeando em mim esta vontade de recomeçar depois da tempestade; de recomeçar sempre que as coisas não corram bem. A mensagem é que deveria recomeçar para que não me deixasse vencer pelas coisas menos positivas, nem desistir de alcançar aquilo que eu queria.
Hoje em dia, é o poema que escrevo sempre no início da minha agenda anual. É o poema que está ao pé da minha secretário. Na altura, o poema secou-me as lágrimas e deu-me alento. Confortou-me a alma... Por isso, a poesia cura.
Não é coincidência iniciar hoje esta rubrica e com este poema. Hoje, 17 de janeiro, assinalaram-se 28 anos sobre a morte de Miguel Torga. Devemos ser gratos pelas palavras que nos deixou, não achas? Eu sou!
Que poema faz parte das tuas memórias? Que poema cura a tua alma?
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