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Por detrás da tela | "A dama de ferro" (2011)

A Dama de Ferro.jpg


O meu ano cinematográfico de 2022 não foi muito ativo. Vi poucos filmes e poucas séries, algo que quero que seja diferente este ano.


Gosto muito de ver filmes biográficos pela possibilidade de conhecer um pouco de figuras históricas que marcaram a época em que viveram. 


A dama de ferro é um drama biográfico baseado na vida de Margaret Thatcher, uma política britânica que ocupou o cargo de primeira ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990.


Não quero discutir e esmiuçar as escolhas políticas de Thatcher, acho que, como qualquer outro político, fez boas e más escolhas. Das suas escolhas políticas, conseguiu agradar a algumas pessoas e a outras não. Foram escolhas e, na cabeça dela, elas teriam sentido. O que é inevitável é a forma como ela marcou a história de um país e o papel das mulheres na esfera política.


Se de facto tudo aconteceu como é retratado no filme, reforço que admiro a forma como esta mulher lutou por ser ouvida num universo inteiramente masculino. Uma mulher com ideias certas que foi perdendo o medo de as partilhar num grupo de homens. Tinha objetivos definidos e lutou por eles. Numa luta de cedências e mudanças foi ganhando voz no meio político e alcançou o lugar que talvez nos inícios nunca lhe tinha passado pela cabeça. 


Outro aspeto que despertou a minha atenção e me deixou muito sentimento positivo foi a relação que ela construiu com o marido. Um homem que a incentivou, que a fez ir mais longe porque não a limitou à tarefa de dona de casa. É certo que ela esclareceu logo no início da relação que não se revia no estereótipo da mulher que fica em casa a cuidar dos filhos. Ela queria e precisava de algo mais na sua vida. E este homem, apesar do período histórico em questão, aceitou, incentivou e fez com que ela crescesse e desenvolvesse as suas capacidades. 


Numa análise mais formal à sequência do filme, inicialmente foi confusa para mim. Não é uma narrativa linear. Há o tempo principal da história que é complementado com recuos ao passado de Thatcher e à sua ascensão no universo político. Com o avançar do filmes, as coisas foram-se tornando mais claras e contextualizadas e fiquei mais conectada com a história. 


Foi o primeiro filme que vi em 2023 e considero que foi uma boa forma de inaugurar o meu ano cinematográfico. 

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