Avançar para o conteúdo principal

Desafio de Escrita dos Pássaros # 11 | Riscas e Tico: uma amizade (im)provável

Tema 11: Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação


IMG-20190714-WA0005.jpg


Eu sou a Riscas, uma gata cheia de personalidade e com uma história muito peculiar. Fui eu que escolhi os donos. Confusos? É simples! Vivia aqui na rua com a minha primeira família e com toda uma turma gatina. Há uns tempos esta minha família mudou de casa. Eu não gostei do espaço. Fugi e voltei para a minha antiga rua. Vieram buscar-me 3 vezes, mas eu fugia sempre para aqui.


No início foi complicado. Não me aproximava de ninguém, vagueava pelos campos, fazia as minhas caçadas. De entre as várias casas da rua havia uma com potencial. Era grande, com comida e muito espaço para passear. Faltava o mais difícil: imiscuir-me no seio daquela família. Qual foi a melhor forma? Tornar-me amiga do peludo que lá vivia.


O cão era um tipo simpático, mas muito ciumento. Recebia demasiados mimos daquela gente. Era um rei dentro de casa. Duvidam da minha palavra? Então vejam só: era ele que ocupava o sofá maior escolhendo quem ficaria ao pé dele; no Inverno, andavam sempre com a cama dele às voltas para que ele apanhasse o sol que queria... Era uma chatice, não estava a conseguir conquistar muito espaço no meio daquela gente. Pelo menos, sempre me alimentaram.


Foram simpáticos comigo! Deram-me espaço e, com o tempo, fui-me aproximando. Consegui partilhar a cama com o cão, o prato dele e, nos raros momentos de bondade canina, até um lugar no sofá me foi permito (mas sempre com o devido respeito por ele). Ganhei um amigo e uma família.  


Há uns tempos atrás as coisas mudaram. O Tico esteve fora e voltou um pouco estranho. Durante o dia foi ficando pior e eu só via a minha nova família triste. Ao fim do dia, saíram de novo com ele. Voltaram com uma caixa e muita tristeza. Eu bem miei em volta da caixa, que cheirava ao Tico, mas ninguém me explicava o que estava a acontecer. Foram dias muito tristes. Não sabia do meu amigo, a família andava estranha e eu só ouvia “Lembras-te quando o Tico descobriu a Pipoca (esta é outra com ar de importante)?” ou “Já viste, faz como o Tico!” e eu só me apetecia grimiar EU NÃO SOU UM CÃO!


 Nunca mais vi o Tico! Agora sou eu que comando. Faço o que quero, mio de acordo com as minhas necessidades e não é que eles me percebem sempre?


 


Nota:
Para saberem mais sobre o Tico podem ler aqui e aqui
A Pipoca é uma Agapone que eu alimentei desde bebé. É como qualquer outro animal de estimação. Reconhece-nos, interege connosco... Mas é um bocado rufia e bica tudo à sua passagem. Tinha fotografias dela noutro telemóvel e não consegui recuperar nenhuma paa colocar aqui.

Comentários

  1. Que história linda.

    Fez-me imenso lembrar de quando o meu cão morreu e o meu gato sentiu-se imenso. Depois quando trouxemos a nossa cadelinha, ele chorou durante alguns dias mas depois lá se foi habituando e agora são inseparaveis.

    ResponderEliminar
  2. Obrigada :)
    Eu ainda não tive coragem de adoptar outro cão. Neste momento ainda não consigo. Tenho muitas saudades do meu cão e do companheirismo que só um cão oferece, mas ainda sinto muito a falta do meu. Viveu comigo quase 15 anos (quase metade da minha vida).
    Que bom que a tua turma animal se dá bem. É tão bonito ver um cão e um gato a darem-se bem.
    Felicidades para eles.

    ResponderEliminar
  3. A Riscas apareceu em boa altura, mesmo a tempo de ser amiga do Tico e de acarinhar a família quando este se foi. Mais fácil, o luto assim. :)

    ResponderEliminar
  4. A prova em como a família se escolhe sim senhora (gata)

    ResponderEliminar
  5. Verdade, Sarin! Mas ela deu luta. :) Não é uma gata muito afável! Eu ainda me estou a habituar a esta personalidade mais independente dos gatos.

    ResponderEliminar
  6. Sei como é. Sempre tive cães (desde que vivo em apartamento são dos meus pais - mas também meus ;))
    Há uns anitos apareceu um gato minorquinha no jardim, supus que a minha mãe resistisse uma semana... ao terceiro dia estava registado e vacinado :)))
    É independente, mas muito mimento - um paradoxo :)

    ResponderEliminar
  7. Gostei muito de ler a história. Fico muito contente que essa gatinha se tenha aproximado cada vez mais. Eles ficam agradecidos a quem cuida deles. E sim, por vezes são mesmo os animais que nos escolhem. A minha gatinha mais velha - a Sushi - era do nosso vizinho, mas na altura eles tinham também um cãozinho que era bruto nas brincadeiras e a gatinha não gostava e começou a fugir para o nosso jardim. Depois de lhe fazermos o primeiro mimo, adotou-nos e nunca mais nos largou. O que é engraçado é que sempre que vê o vizinho ou a esposa dele no jardim, vai lá miar-lhes como se estivesse a dizer-lhes um "olá!". Os animais são mesmo enternecedores!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Como te percebo! Tive o meu cão por 16 anos e ele já estava bastante debilitado coitadinho, mas tentou-se dar os melhores finais dias. Mas ha sensações e memórias que não me esqueço.
    Eu estive muito tempo para conseguir conevencer os meus pais, mas agora adoram o novo peluche e é a menina dos olhos deles ahah

    ResponderEliminar
  9. Com o meu cão foi igual. Dado o elevado sofrimento dele tive de optar pela eutanasia. Custou imenso.
    Quem sabe, um dia, consigamos voltar a adotar um cão e tê-lo por 16 ou mais anos junto de nós.

    ResponderEliminar
  10. Eu estou a aprender a ser dona de uma gata :). Mas sim, ela é agradecida. Estes dias, estava ela a dormir e comecei-lhe a fazer festas. Ela começou-me a lamber a mão . E agora faz isso com alguma frequência. Até já quer brincar.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  11. tanto amor nesta história
    que bom que ela vos escolheu

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...