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Desafio de Escrita dos Pássaros # 11 | Riscas e Tico: uma amizade (im)provável

Tema 11: Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação


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Eu sou a Riscas, uma gata cheia de personalidade e com uma história muito peculiar. Fui eu que escolhi os donos. Confusos? É simples! Vivia aqui na rua com a minha primeira família e com toda uma turma gatina. Há uns tempos esta minha família mudou de casa. Eu não gostei do espaço. Fugi e voltei para a minha antiga rua. Vieram buscar-me 3 vezes, mas eu fugia sempre para aqui.


No início foi complicado. Não me aproximava de ninguém, vagueava pelos campos, fazia as minhas caçadas. De entre as várias casas da rua havia uma com potencial. Era grande, com comida e muito espaço para passear. Faltava o mais difícil: imiscuir-me no seio daquela família. Qual foi a melhor forma? Tornar-me amiga do peludo que lá vivia.


O cão era um tipo simpático, mas muito ciumento. Recebia demasiados mimos daquela gente. Era um rei dentro de casa. Duvidam da minha palavra? Então vejam só: era ele que ocupava o sofá maior escolhendo quem ficaria ao pé dele; no Inverno, andavam sempre com a cama dele às voltas para que ele apanhasse o sol que queria... Era uma chatice, não estava a conseguir conquistar muito espaço no meio daquela gente. Pelo menos, sempre me alimentaram.


Foram simpáticos comigo! Deram-me espaço e, com o tempo, fui-me aproximando. Consegui partilhar a cama com o cão, o prato dele e, nos raros momentos de bondade canina, até um lugar no sofá me foi permito (mas sempre com o devido respeito por ele). Ganhei um amigo e uma família.  


Há uns tempos atrás as coisas mudaram. O Tico esteve fora e voltou um pouco estranho. Durante o dia foi ficando pior e eu só via a minha nova família triste. Ao fim do dia, saíram de novo com ele. Voltaram com uma caixa e muita tristeza. Eu bem miei em volta da caixa, que cheirava ao Tico, mas ninguém me explicava o que estava a acontecer. Foram dias muito tristes. Não sabia do meu amigo, a família andava estranha e eu só ouvia “Lembras-te quando o Tico descobriu a Pipoca (esta é outra com ar de importante)?” ou “Já viste, faz como o Tico!” e eu só me apetecia grimiar EU NÃO SOU UM CÃO!


 Nunca mais vi o Tico! Agora sou eu que comando. Faço o que quero, mio de acordo com as minhas necessidades e não é que eles me percebem sempre?


 


Nota:
Para saberem mais sobre o Tico podem ler aqui e aqui
A Pipoca é uma Agapone que eu alimentei desde bebé. É como qualquer outro animal de estimação. Reconhece-nos, interege connosco... Mas é um bocado rufia e bica tudo à sua passagem. Tinha fotografias dela noutro telemóvel e não consegui recuperar nenhuma paa colocar aqui.

Comentários

  1. Que história linda.

    Fez-me imenso lembrar de quando o meu cão morreu e o meu gato sentiu-se imenso. Depois quando trouxemos a nossa cadelinha, ele chorou durante alguns dias mas depois lá se foi habituando e agora são inseparaveis.

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  2. Obrigada :)
    Eu ainda não tive coragem de adoptar outro cão. Neste momento ainda não consigo. Tenho muitas saudades do meu cão e do companheirismo que só um cão oferece, mas ainda sinto muito a falta do meu. Viveu comigo quase 15 anos (quase metade da minha vida).
    Que bom que a tua turma animal se dá bem. É tão bonito ver um cão e um gato a darem-se bem.
    Felicidades para eles.

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  3. A Riscas apareceu em boa altura, mesmo a tempo de ser amiga do Tico e de acarinhar a família quando este se foi. Mais fácil, o luto assim. :)

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  4. A prova em como a família se escolhe sim senhora (gata)

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  5. Verdade, Sarin! Mas ela deu luta. :) Não é uma gata muito afável! Eu ainda me estou a habituar a esta personalidade mais independente dos gatos.

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  6. Sei como é. Sempre tive cães (desde que vivo em apartamento são dos meus pais - mas também meus ;))
    Há uns anitos apareceu um gato minorquinha no jardim, supus que a minha mãe resistisse uma semana... ao terceiro dia estava registado e vacinado :)))
    É independente, mas muito mimento - um paradoxo :)

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  7. Gostei muito de ler a história. Fico muito contente que essa gatinha se tenha aproximado cada vez mais. Eles ficam agradecidos a quem cuida deles. E sim, por vezes são mesmo os animais que nos escolhem. A minha gatinha mais velha - a Sushi - era do nosso vizinho, mas na altura eles tinham também um cãozinho que era bruto nas brincadeiras e a gatinha não gostava e começou a fugir para o nosso jardim. Depois de lhe fazermos o primeiro mimo, adotou-nos e nunca mais nos largou. O que é engraçado é que sempre que vê o vizinho ou a esposa dele no jardim, vai lá miar-lhes como se estivesse a dizer-lhes um "olá!". Os animais são mesmo enternecedores!
    Beijinhos

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  8. Como te percebo! Tive o meu cão por 16 anos e ele já estava bastante debilitado coitadinho, mas tentou-se dar os melhores finais dias. Mas ha sensações e memórias que não me esqueço.
    Eu estive muito tempo para conseguir conevencer os meus pais, mas agora adoram o novo peluche e é a menina dos olhos deles ahah

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  9. Com o meu cão foi igual. Dado o elevado sofrimento dele tive de optar pela eutanasia. Custou imenso.
    Quem sabe, um dia, consigamos voltar a adotar um cão e tê-lo por 16 ou mais anos junto de nós.

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  10. Eu estou a aprender a ser dona de uma gata :). Mas sim, ela é agradecida. Estes dias, estava ela a dormir e comecei-lhe a fazer festas. Ela começou-me a lamber a mão . E agora faz isso com alguma frequência. Até já quer brincar.
    Beijinhos

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  11. tanto amor nesta história
    que bom que ela vos escolheu

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