
O interesse pelos(as) escritores(as) portugueses(as) tem aumentado. É bom ver os(as) leitores(as) a ler obras nacionais, a interessar-se pelos nossos(as) escritores(as) e apostar na sua divulgação. Porém, o que me inquieta é, por vezes, a ausência de critério nestas divulgações. Por vezes, tenho a sensação de que são todos bons livros, com excelentes histórias e que merecem ser lidos. O problema surge depois, quando afinal a obra não corresponde à expetativa que estas opiniões positivas criaram em mim.
Este comportamento de apoio incondicional e de leitura sem espírito crítico pode ser perigoso. Podes argumentar e dizer-me que a leitura é um processo subjetivo. E eu concordo com isso! Mas há elementos que ultrapassam os limites da subjetividade.
Para mim, a subjetividade aplica-se à minha relação com o conteúdo da narrativa. Eu posso gostar mais ou menos dos acontecimentos do livro, comparativamente a outro leitor. Contudo, a escrita, a existência de incongruências e os erros ultrapassam a subjetividade e, na minha opinião, fazem parte de um universo bem objetivo e claro. Como é que eu posso tecer um comentário positivo a um livro que está mal escrito e com graves problemas na estrutura narrativa? Eu não consigo!! Por isso, nas minhas opiniões gosto de fazer esta divisão na análise aos livros que leio. Gosto de especificar o que de facto me agradou e não me agradou no livro.
Por isso, não tenho receio de escrever opiniões negativas. Quando essa opinião resulta de um convite de um(a) escritor(a) para ler, eu tenho o cuidado de escrever um e-mail pessoal a expor a minha opinião detalhada e apresentar soluções para aquilo que acho que não está a funcionar tão bem. No entanto, quer seja um livro lido a pedido de um(a) escritor(a) ou uma leitura que resulte da minha escolha, procuro sempre fundamentar a minha opinião o melhor que consiga.
Sinto que falta um pouco de espírito crítico a esta comunidade e acho que isso não ajuda os(as) escritores(as).
Gostaria de refletir com vocês relativamente a estas questões:
O que retiras da leitura de um livro? Que tipo de análise fazes?
Tens medo de escrever uma opinião negativa?
Não suporto um livro mal escrito ou mal traduzido. Já apanhei tantas desilusões que, agora, só compro livros que outros leitores, com critérios semelhantes aos meus recomendem.
ResponderEliminarA questão está, precisamente, nos critérios. Há leitores que não têm conhecimentos (e não acho que sejam obrigados a tê-los, seja por formação ou experiência de leitura) ao nível da língua ou da literatura para detetar certas lacunas nas obras. O que lhes dá prazer é o enredo, as emoções... o que for. Da mesma forma que há quem aprecie livros mal escritos, há quem goste de pinturas horríveis ou música sem qualidade. É preciso ter algum domínio da área para descortinar estes meandros.
Eu, de música não percebo nadinha, provavelmente as minhas escolhas seriam alvo de censura por quem sabe... E quando falo de algum livro na internet é normalmente porque gostei. Até porque livros que não gosto, nem acabo... ou passo diretamente para as últimas páginas!
Concordo com o que escreves. De facto, há leitores para quem a história e a relação que criam com ela chega. O problema é que, muitas vezes, deixam que obras com erros e mal escritas ganhem terreno. No instagram, este post gerou alguma discussão saudável. Foi interessante assistir a diferentes pontos de vista. Num dos comentários, a pessoa dizia que os erros não a incomodavam. Eu não penso assim! Um escritor deve ter brio nas palavras. Uma coisa são pequenas gralhas que podem passar despercebidas até ao olhar mais atento, outra são erros graves que se mantêm ao longo da obra.
ResponderEliminarObrigada pela tua partilha.