Avançar para o conteúdo principal

Inquietações # 5 | O papel do(a) leitor(a) na divulgação de livros de má qualidade

Inquietação literária # 1 (5).jpg


O interesse pelos(as) escritores(as) portugueses(as) tem aumentado. É bom ver os(as) leitores(as) a ler obras nacionais, a interessar-se pelos nossos(as) escritores(as) e apostar na sua divulgação. Porém, o que me inquieta é, por vezes, a ausência de critério nestas divulgações. Por vezes, tenho a sensação de que são todos bons livros, com excelentes histórias e que merecem ser lidos. O problema surge depois, quando afinal a obra não corresponde à expetativa que estas opiniões positivas criaram em mim.


Este comportamento de apoio incondicional e de leitura sem espírito crítico pode ser perigoso. Podes argumentar e dizer-me que a leitura é um processo subjetivo. E eu concordo com isso! Mas há elementos que ultrapassam os limites da subjetividade.


Para mim, a subjetividade aplica-se à minha relação com o conteúdo da narrativa. Eu posso gostar mais ou menos dos acontecimentos do livro, comparativamente a outro leitor. Contudo, a escrita, a existência de incongruências e os erros ultrapassam a subjetividade e, na minha opinião, fazem parte de um universo bem objetivo e claro. Como é que eu posso tecer um comentário positivo a um livro que está mal escrito e com graves problemas na estrutura narrativa? Eu não consigo!! Por isso, nas minhas opiniões gosto de fazer esta divisão na análise aos livros que leio. Gosto de especificar o que de facto me agradou e não me agradou no livro.


Por isso, não tenho receio de escrever opiniões negativas. Quando essa opinião resulta de um convite de um(a) escritor(a) para ler, eu tenho o cuidado de escrever um e-mail pessoal a expor a minha opinião detalhada e apresentar soluções para aquilo que acho que não está a funcionar tão bem. No entanto, quer seja um livro lido a pedido de um(a) escritor(a) ou uma leitura que resulte da minha escolha, procuro sempre fundamentar a minha opinião o melhor que consiga.


Sinto que falta um pouco de espírito crítico a esta comunidade e acho que isso não ajuda os(as) escritores(as).


Gostaria de refletir com vocês relativamente a estas questões:


O que retiras da leitura de um livro? Que tipo de análise fazes?


Tens medo de escrever uma opinião negativa?

Comentários

  1. Não suporto um livro mal escrito ou mal traduzido. Já apanhei tantas desilusões que, agora, só compro livros que outros leitores, com critérios semelhantes aos meus recomendem.
    A questão está, precisamente, nos critérios. Há leitores que não têm conhecimentos (e não acho que sejam obrigados a tê-los, seja por formação ou experiência de leitura) ao nível da língua ou da literatura para detetar certas lacunas nas obras. O que lhes dá prazer é o enredo, as emoções... o que for. Da mesma forma que há quem aprecie livros mal escritos, há quem goste de pinturas horríveis ou música sem qualidade. É preciso ter algum domínio da área para descortinar estes meandros.
    Eu, de música não percebo nadinha, provavelmente as minhas escolhas seriam alvo de censura por quem sabe... E quando falo de algum livro na internet é normalmente porque gostei. Até porque livros que não gosto, nem acabo... ou passo diretamente para as últimas páginas!

    ResponderEliminar
  2. Concordo com o que escreves. De facto, há leitores para quem a história e a relação que criam com ela chega. O problema é que, muitas vezes, deixam que obras com erros e mal escritas ganhem terreno. No instagram, este post gerou alguma discussão saudável. Foi interessante assistir a diferentes pontos de vista. Num dos comentários, a pessoa dizia que os erros não a incomodavam. Eu não penso assim! Um escritor deve ter brio nas palavras. Uma coisa são pequenas gralhas que podem passar despercebidas até ao olhar mais atento, outra são erros graves que se mantêm ao longo da obra.
    Obrigada pela tua partilha.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...